O blog foi conferir como outras grandes cidades do mundo lidam com a questão. Há situações variadas, tanto na idade mínima e nos critérios para conceder vantagens aos idosos quanto na forma de benefício: alguns lugares dão passagem grátis, outros apenas descontos.
Em Buenos Aires, há gratuidade para os aposentados que recebam até 1,1 salário mínimo, independentemente da idade. No entanto, o passe livre só vale fora dos horários de pico.
Na Europa, Londres e Paris dão passe livre aos viajantes com mais de 60. Já Berlim e Madri oferecem descontos para maiores de 65.
Em Bogotá, há valor menor no bilhete para maiores de 62. Santiago, no Chile, oferece a redução de tarifa para mulheres com mais de 60 e homens com mais de 65, desde que já aposentados. E na Cidade do México, é preciso esperar até os 70 para andar de graça no transporte público.
Veja abaixo como 12 cidades, de vários continentes, lidam com a questão:
Berlim, Alemanha
Oferece desconto para maiores de 65 anos. Eles podem comprar um bilhete mensal, por 52 euros (R$ 343), desconto de cerca de 18%. O passe mensal regular custa 63 euros (R$ 415).
Bogotá, Colômbia
Dá desconto aos maiores de 62 anos, de aproximadamente 14%. A tarifa cheia é de 2.500 pesos (R$ 3,82) nas linhas troncais, e eles pagam 2.160 pesos (R$ 3,32), por exemplo . O benefício só vale para até 30 viagens por mês.
Buenos Aires, Argentina
Tem passe livre para os aposentados e pensionistas com renda de até 1,1 salário mínimo, independentemente da idade. Em dias úteis, o bilhete gratuito pode ser usado das 5h30 às 8h, das 10h às 17h e depois das 19h, para evitar os horários de pico.
Cidade do México
Oferece gratuidade no transporte para maiores de 70 anos.
Johanesburgo, África do Sul
Aposentados têm 50% de desconto na tarifa dos ônibus, independemente da idade.
Londres, Reino Unido
Dá gratuidade a todos os moradores com mais de 60 anos, mas, em dias de semana, eles só podem embarcar sem pagar depois das 9h, em parte da rede.
Madri, Espanha
Em 2021, a cidade baixou o valor do passe mensal do metrô para idosos com mais de 65 anos para 6,30 euros (R$ 41). Uma viagem unitária custa entre 1,50 e 2 euros (R$ 9,90 a R$ 13,20).
O governo atual, da conservadora Isabel Ayuso, prometeu chegar à tarifa zero para os idosos até o fim de seu mandato.
Nova Déli, Índia
Dá desconto para maiores de 60 anos. Eles pagam 150 rúpias (R$ 11,20) por um passe mensal, cujo preço padrão varia entre 800 e 1.640 rúpias (R$ 60 a R$ 122).
Nova York, EUA
Concede 50% de desconto para os maiores de 65 anos.
Paris, França
Oferece gratuidade a aposentados, veteranos de guerra e pessoas com deficiência acima de 60 anos.
Santiago, Chile
A tarifa tem valor menor para mulheres com mais de 60 anos e homens com mais de 65 anos, que já estejam aposentados. No metrô, ambos pagam 230 pesos (R$ 1,71) por viagem, cujo preço-base varia entre 640 e 800 pesos (R$ 4,75 e R$ 5,94), depedendo do horário.
Sydney, Austrália
Passe livre para maiores de 60 anos, desde que trabalhem menos de 20 horas por semana.
]]>Em Rianxo, no norte do país, um grupo de idosas resolveu cobrar a prefeitura para que construísse um centro de dia, pois a cidade não tinha nenhum. Ali vivem cerca de 12 mil moradores, dos quais 3.000 tem mais de 65 anos.
Este centro de apoio é um espaço onde os idosos podem passar o dia em atividades de lazer, ao lado de enfermeiras e auxiliares que oferecem cuidados. É uma alternativa para pessoas mais velhas que vivem com a família, mas que não podem ou não querem ficar sozinhas enquanto os parentes trabalham.
Sem o centro de dia em Rianxo, a única opção era ir a espaços similares em cidades vizinhas, que ficam a mais de uma hora de viagem.
“Não queríamos que nossos filhos tivessem de deixar o emprego para cuidar de nós”, conta Leonor Lesende, uma das integrantes do movimento. “Então, resolvemos ir à luta”.
Segundo elas, os políticos locais prometiam construir o centro, mas eleição após eleição nada era feito.
A primeira ação do grupo foi fazer um abaixo assinado, que reuniu 2.800 nomes. Em seguida, realizaram protestos nas ruas da cidade, mas sem muito resultado. Então, em junho de 2017, um grupo de senhoras resolveu ocupar o salão principal da prefeitura da cidade, ao lado do gabinete do prefeito.
“A ideia surgiu em uma reunião. No protesto seguinte, eu disse às pessoas que estava disposta a ocupar e perguntei quem iria comigo. Todos levantaram a mão”, lembra Maria José Comojo, líder do grupo, conhecida como Chechê.
A ocupação durou exatos 314 dias. Primeiro, eram feitos turnos de meia hora, que foram sendo ampliados até chegar à divisão de manhã, tarde e noite. De dia, entre 50 e 80 pessoas ficavam na sala. À noite, ao menos duas pessoas permaneciam acampadas. Os protestos nas ruas também foram mantidos.
“A maioria das ativistas eram mulheres. São elas que geralmente ajudam a cuidar dos filhos e dos idosos. Houve homens também, mas muito menos”, lembra Chechê. Mesmo durante a ocupação, as mulheres não deixaram seus afazeres domésticos, e alternavam o cuidado da casa com o turno na prefeitura.
Os primeiros meses foram de tensão, pois membros do governo pressionavam pelo fim do movimento. Para passar o tempo, as ativistas jogavam cartas, faziam caça-palavras e bingos. “Antes de dormir, ficávamos lembrando de músicas antigas. As pessoas mais velhas do que nós perguntavam: ‘vocês se lembram desta música?’ e começavam a cantar”, recorda Leonor.
Logo veio o calor de agosto, que trouxe incômodo, pois a sala ficava abafada. Os meses avançaram e chegou o frio de dezembro. Na noite de Natal, foi improvisada uma ceia. “No inicio, ficaram só dois casais. Depois vieram mais companheiros, comemos juntos e estivemos bem. Foi uma experiência bonita”, diz Leonor.
A ocupação ainda duraria mais quatro meses, até que a prefeitura e o governo regional, a Xunta de Galícia, chegassem a um acordo para dividir os custos e comprar um espaço que será transformado em um centro de dia. O lugar, chamado Rianxinho, pertence a uma ordem religiosa, foi construído no século 18 e custará 1,6 milhão de euros (cerca de R$ 7,5 milhões).
“O espaço terá capacidade para 200 pessoas, um amplo jardim e precisará de poucas alterações para se tornar um centro de dia”, detalha o prefeito Adolfo Muiños, que apoiou a campanha das senhoras. “Respeitamos 100% a decisão de fazer o protesto aqui, pois a reivindicação deles era justa”, diz ele.
A construção de mais centros de dia pode facilitar a vida de muitas famílias e aumentar a qualidade de vida dos idosos, inclusive a fazer com que eles fiquem menos sós. Chechê lembra do caso de um homem que vivia sozinho em casa e convivia pouco com outras pessoas. Ele morreu e seu corpo só foi encontrado seis meses depois. “A tecnologia é ótima, mas não queremos só aparelhos para nos comunicarmos. Queremos estar juntos e com os nossos”, defende.
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