Leve e discreta, bike elétrica top de linha permite regular o motor por aplicativo

A bicicleta Turbo Vado SL é elétrica. No entanto, ao pedalar com ela, a sensação é de estar em uma bike comum, porque o modelo é muito leve e simples de usar. O blog fez um teste com o modelo, que custa R$ 27 mil. 

Lançada em maio pela marca Specialized, ela tem peso similar ao de uma bicicleta clássica. Os comandos e a aparência são simples, e o motor e a bateria ficam escondidos dentro do quadro. De longe, poucos conseguem notar que se trata de um veículo elétrico.

Há um botão para ligar e desligar o motor e outro para escolher entre três níveis de ajuda. Um indicador no quadro mostra em qual dos níveis se está e quanto resta da carga da bateria. Esses dados são visíveis mesmo sob sol forte.

A simplicidade externa, no entanto, engana: com o uso de um aplicativo, a bicicleta pode ser configurada de forma detalhada. É possível regular o uso do motor para fazer a carga durar mais em viagens longas ou ter desempenho mais forte em trechos curtos, por exemplo.

Bateria e motor ficam escondidos dentro do quadro (Rafael Balago/Folhapress)

Além do app, a bike vem configurada para gerenciar a bateria de forma automática. Quando o nível de carga fica abaixo de 15%, o nível de assistência é diminuído, para fazer a energia durar um pouco mais.

O sistema também corta o auxílio elétrico quando a bike passa de 25 km/h. Acima dessa velocidade, o ciclista conta apenas com sua força.

Logo nas primeiras voltas, deu para perceber que o reforço se junta às pedaladas de modo suave. Outros modelos costumam dar uma empurrada mais forte quando o motor liga. 

A ajuda elétrica só entra em ação quando o ciclista pedala, e se adapta aos seus movimentos. Ou seja: se pedala menos, o auxílio é menor. Assim, em uma subida, é preciso colocar mais força do que em trechos retos, mas a ajuda elétrica deixa tudo mais fácil. Faz-se menos esforço, mas mesmo assim é preciso gastar calorias.

Subi algumas ladeiras pedalando em pé, como numa bike normal, mas cheguei ao topo sem estar cansado. E pude encarar subidas que não costumo dar conta com a minha bicicleta comum.

Painel no quadro indica nível da bateria e de ajuda elétrica (Rafael Balago/Folhapress)

A adaptação foi rápida, e pedalar com a Turbo Vado se tornou rapidamente algo prazeroso. Apesar de leve, o modelo é muito estável e fácil de guiar. Os freios a disco permitem controle total nas descidas. 

Em um domingo, fiz um teste de maior distância e cruzei a cidade de São Paulo de norte a sul, em boa parte por ciclofaixas de lazer. Na maior parte do caminho, fiquei no nível dois de auxílio, pois já era suficiente. O três foi mais usado em subidas. 

Na ciclovia do rio Pinheiros, pedalei mais forte. Em cerca de 15 minutos, fui da ponte Cidade Jardim até o parque Burle Marx, um trecho de 6 km. Depois, subi rumo à Paulista, vindo do Ibirapuera, sem dificuldades.

Também dá para pedalar tranquilamente sem a ajuda elétrica. Em várias ocasiões, dei a partida e só lembrei de ligar o motor minutos depois.

A velocidade média nesse trajeto foi de quase 20 km/h, segundo dados do app Strava. Rodei ao todo 67 km em 3h30, o que gastou cerca de 80% da bateria.

A recarga é feita direto na tomada, e leva em torno de 2h30. No uso diário com deslocamentos mais curtos, pode-se ficar vários dias sem recarregar.  Segundo o fabricante, com uso do nível 1, a autonomia chega a 130 km.

Carga é feita por plugue perto dos pedais (Rafael Balago/Folhapress)

 

A maior vantagem da bike elétrica é que ela de fato encurta distâncias e permite aos ciclistas explorar outras rotas sem se preocupar com as subidas no caminho. Sua principal (e talvez única) desvantagem é o preço. A Turbo Vado SL custa R$ 27 mil. Há outros modelos elétricos mais baratos, na faixa de R$ 5.000, e algumas lojas oferecem opções de aluguel mensal, por cerca de R$ 300. 

O mercado de bikes elétricas vem crescendo no Brasil, mesmo em meio à pandemia. Em 2020, deverão ser vendidas 32 mil unidades, segundo projeção da Aliança Bike.